Hoje estava com o dia livre. Pessoas normais quando tem folga ficam em casa descansando ou vão ao cinema. Eu resolvi ir atrás de uma experiência inédita: comer churrasquinho grego.
Munidos de uma camera e medo, muito medo, resolvemos partir para a empreitada.
Os critérios:
Como pretendemos fazer uma viagem ao mundo das comidas toscas no futuro, para que essa não seja uma experiência isolada, estabelecemos critérios de avaliação, sendo eles: saúde, ingredientes, medo, gordurosidade e efeito memória.
Saúde: Escala de 1 a 5, sendo que nota um é equivalente a uma folha de alface e nota cinco algo como ovo frito servido com leite condensado e um copo de banha.
Medo: Felizmente, existe uma escala pronta para medo, então não precisamos inventar aqui. Utilizaremos a escala Regina Duarte de medo, em que o nível um significa “não pega nada” e escala cinco significa “Eu tenho MEDO: Se eu comer isso o país entra em colapso político-economico”
Efeito Memória: Define o quanto tempo a comida fica brigando no estômago até morrer. Nota cinco para a digestão de um pombo vivo.
As comidas
Para contrastar, fomos atrás de dois opostos: o Kebab do Kebab Salonu (Churrasquinho Grego está para Kebab assim como o Jackie Chan está para o Bruce Lee). O Kebab Salonu foi eleito o melhor Kebab de São Paulo pelo Guia Quatro Rodas, então deve ser bom o suficiente.
Kebab do Kebab Salonu:
(http://www.kebabsalonu.com.br/)

A aparência era a de uma salada embrulhada e servida no estilo Wraps. Fator medo: 1.
Saúde: Novamente, praticamente uma salada. Continha carne de cordeiro, que apesar de saúdavel, é carne. Fator Saúde: 2
A quantia servida dava para uma pessoa razoavelmente faminta ou duas pessoas com pouca fome. Comida leve, porém em quantidade generosa, o que faz com que pese um pouco. Efeito Memória: 2
Churrasquinho Grego do centro: (Sem website: barraca ao lado da saída Anhangabaú do metrô São Bento)

Após vencer a resistência inicial e entrar na barraca improvisada, pedimos um Churrasquinho Grego, que custava UM Real e incluía um suco de água laranja. Ao pedir o churrasco grego, o atendente tirou umas lascas da carne que estavam meio torradas e jogou em uma gaveta. Imaginei que essa era a gaveta dos restos e que ele estava tirando a parte torrada para então preparar o sanduba. Errei. Ele pegou as lascas da tal gaveta dos restos, colocou no pão e serviu. Fator medo: 4.
Saúde: Apesar de tudo, o sanduíche era pão francês, carne e tomate. Saudável. O suco de água alaranjada entretanto nos deixou desconfiados aumentando um pouco o risco. Saúde: 3.
Efeito memória: Por custar a quantia de UM real, a guloseima era praticamente pão com lascas esparsas de carne. Não enche o estomago e portanto recebe nota 2.
Conclusão:
Apesar do Kebab ser uma comida bacana, na verdade ele perverteu muito o Kebab original. A carne alías era assada em um espeto normal, o que provavelmente não classifica o prato como Kebab.
O churrasco grego, apesar do medo inicial, até que caiu bem, e se comparado com o custo do Kebab (30 reais, incluindo a bebida), daria para comprarmos 30 churrasquinhos gregos. Isso é um excelente custo/benefício e me faz pensar como a verba para merenda é mal aproveitada. Quando eu estudava em colégio público, a verba para merenda era de 1 real por criança, o que dava para servirem uma água que foi usada para lavar macarrão e que a servente dizia ser sopa (peguei trauma de sopa até hoje por causa disso). Pô! Churrasco grego para a criançada já! Tem carne, gente!!!
É isso aí. O maior problema agora é que o Churrasquinho Grego encontrou o Kebab aqui no meu estômago e isso está levando a uma luta de classes. Pelos barulhos da minha barriga, eles já declararam Jihad.
A coisa vai ficar feia…

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